segunda-feira, 13 de setembro de 2010

debate

às 6:51
No debate, Dilma dá sinais de que pode rifar Erenice. Ou: a penca de absurdos
No debate de ontem promovido pela Folha/Rede TV, a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, procurou se descolar de Erenice Guerra, ministra da Casa Civil, e deu a entender que, se preciso, o governo pode rifá-la. Sob certas condições, é claro. Já falo a respeito. A ministra pode ser o fusível que vai ter de queimar para preservar a candidata. Reportagem da VEJA desta semana mostra que Israel Guerra, filho de Erenice — pessoa da mais estrita confiança de Dilma — atua como lobista e cobra comissão para intermediar negócios de empresas privadas com o governo. A jornalista Renata Lo Prete, da Folha, perguntou a Dilma:
“A senhora colocaria a mão no fogo por Erenice Guerra, que foi seu braço-direito na Casa Civil e assumiu o ministério quando a senhora saiu do governo?”

Leiam o que Dilma respondeu; prestem atenção aos detalhes:
“Eu tenho, até hoje, Renata, a maior e a melhor impressão da ministra Erenice. O que se tem publicado nos jornais [olhando para a colinha] é uma acusação contra o filho da ministra. Esta acusação quanto ao filho da ministra, o governo deve apurar de forma rigorosa e deve avaliar se houve ou não tráfico de influência. Se houve, tem de tomar as providências mais drásticas possíveis. No caso da ministra Erenice, foi feita uma acusação, ela foi desmentida, e, hoje, o que se tem ainda é exatamente nada. Agora, eu quero deixar claro aqui: eu não concordo, não vou aceitar, que se julgue a minha pessoa baseado com o que aconteceu com o filho de uma ex-assessora minha. Até porque, Renata, eu perguntaria pra você: você acha correto responsabilizar o diretor-presidente da tua empresa pelo que foi feito pelo filho de um funcionário dele? Eu, pessoalmente, não acho. Acho que isso cheira a manobra eleitoreira,sistematicamente feita contra mim e a minha campanha.”

Vamos pensar
De saída, é preciso ficar claro: não! Dilma não põe a mão no fogo por Erenice. É o cuidado típico de quem não sabe o que vem por aí. Assim, se preciso, a sua sucessora na Casa Civil terá de ir para o sacrifício. A candidata deu a sua resposta olhando, como sempre, para uma colinha — a turma que cuida da sua campanha sabia que tal questão iria aparecer. A “melhor impressão” de Dilma sobre Erenice vai “até hoje”. O amanhã às pesquisas pertence.

Dilma deixou claro que Erenice pode dançar, sim, mas isso não significa que sua resposta não esteja eivada de absurdos. O maior deles é tentar fazer uma distinção entre o “filho” e a “mãe”, como se Israel pudesse fazer “tráfico de influência”, para usar a sua expressão, sozinho. Mais um pouco, Dilma lembra seu antigo mestre na política, Leonel Brizola, que ela abandonou para se juntar ao PT, e proclama: “Filho não é parente! Dilma para presidente”. Ora…


Quem é o rapaz? Sozinho, ele não é ninguém. A “influência” que ele trafica não é sua, mas da progenitora, que é ministra de estado e braço-direito de Dilma, com vasta folha de serviços prestados à ministra — alguns deles não muito republicanos, como já se lembrou aqui. Assim, é patacoada essa história de que existem “a ministra” e o “filho da ministra” como realidades distintas. Não nesse escândalo.

A frase “se houve [irregularidades], tem de tomar as providências mais drásticas possíveis” não quer dizer rigorosamente nada. Afinal, só faltava a candidata afirmar o contrário. Os petistas ainda não chegaram a tanto. Um dia ainda o farão, mas não já.


Desmentido uma ova!
Segundo Dilma, “a acusação foi desmentida no caso de Erenice”. Falso! A nota do empresário Fábio Baracat não desmente coisa nenhuma, como deixei claro ontem. Ao contrário. Ele reafirma que Israel Guerra atuava como intermediador de verba pública, cobrando comissão: “Durante o período em que atuei na defesa dos interesses comerciais da MTA, conheci Israel Guerra, como profissional que atuava na organização da documentação da empresa para participar de licitações, cuja remuneração previa percentual sobre eventual êxito” . Baracat confirma ainda o encontro com a ministra: “Destaco também que não tenho qualquer relacionamento pessoal ou comercial com a Ministra Erenice Guerra, embora tivesse tido de fato a conhecido, jamais tratei de qualquer negócio privado ou assuntos políticos com ela.” Cadê o desmentido?

Ele foi levado à presença de Erenice por quem? Pelo filho, Israel, que atuava como intermediário nos negócios, o que também foi confirmado à Folha por Artur Rodrigues da Silva, diretor de Operações dos Correios. De resto, cumpre destacar que o depoimento de Baracat à VEJA foi gravado. Como informa a revista, “a reportagem não foi construída com base em declarações, mas em intensa apuração jornalística e sobre documentação, parte da qual ainda não foi publicada.”

No depoimento gravado — antes, portanto, que o governo tivesse atuado com seus métodos de convencimento —, o empresário informa que se encontrou com a ministra em seu (dela) apartamento. Ao menos uma vez, quando o pagamento estava atrasado, ela lembrou que eles — ela própria e o filho — tinham de “saldar compromissos políticos”.

Para não esquecer
A conclusão da resposta de Dilma é risível. É evidente que Erenice não tem existência autônoma. Ela é quem é porque Dilma a colocou lá e porque a mulher tem algumas medalhas no peito em razão de “serviços” prestados à chefa. A simples admissão de que o filho de uma ministra de estado atua para liberar verba pública sobre a qual a mãe tem influência é um disparate, o que dá conta do estágio a que chegamos. Só falta agora Erenice afirmar que não sabia como o filhote ganhava a vida.

Israel é mais do que um rapaz que está fazendo coisas impróprias a um filho de uma ministra de estado. Ele é um sintoma de uma doença e evidência de um método. Ou alguém é inocente o bastante para considerar que mãe e filho atuam ao arrepio do partido? Basta ler o currículo de Erenice para constatar que ela é um quadro do PT. Mais faz o que mandam do que manda no que faz.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

EM CARTA CNBB PEDE QUE FIÉIS NÃO VOTEM EM DILMA ROUSSEFF

RIO - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma carta na última segunda-feira na qual pede que os fiéis não votem na candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

Leia a carta na íntegra:

"Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”


“Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de “Deus” não seja manipulado ou usurpado por “César” e vice-versa”.

"Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César. Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir-se ao estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus. Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja, o respeito à liberdade religiosa”.

"Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.

"Na condição de Bispo Diocesano, como responsável pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus, como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).

“Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam”.

"Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição”.

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini

Fonte O GLOBO

Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras

NOTA DA COMISSÃO EPISCOPAL REPRESENTATIVA DO CONSELHO EPISCOPAL REGIONAL SUL 1 - CNBB



A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua Reunião ordinária, tendo já dado orientações e critérios claros para “VOTAR BEM”, acolhem e recomendam a ampla difusão do “APELO ATODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 que pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico “www.cnbbsul1.org.br”.
São Paulo, 26 de Agosto de 2010.





Dom Nelson Westrupp, scj Dom Airton José dos Santos Dom Benedito Beni dos Santos
Presidente do CONSER-SUL 1 Secretário Geral do CONSER SUL 1 Vice-presidente do CONSER-SUL 1

_________________________________________________________________________________________________

Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,

- considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto,

- considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual
reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher,

- considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Polítíca das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91,

como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,

- considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto,

- considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa,

- considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto,

- considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto - problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional,

- considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País,

- considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República,

- considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no
Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto,

RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto.

Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento “Votar Bem” aprovado pela 73ª Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010 e verificarem
as provas do que acima foi exposto no texto “A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil” (http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/defesavidabrasil.pdf), elaborado pelas Comissões em Defesa da
Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.

COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL 1 DA - CNBB

nunca antes na democracia um partido depredou tanto as instituições

às 7:03
O PT realmente inovou a política no Brasil: nunca antes na democracia um partido depredou tanto as instituições
Num dos posts abaixo, digo aos petralhas que podem botar a mula na sombra porque aqui eles não entram. Este é o meu blog — coisa que Lula não pode dizer sobre o Brasil, por exemplo. Quem não gosta da minha página ou não concorda com o blogueiro pode criar a sua própria, inclusive para me satanizar, como alguns já fizeram, conformando-se em ser apenas os que “odeiam o Reinaldo Azevedo”. Compreendo. Mas ninguém pode abrir o seu “próprio Brasil” se diverge daquele que Lula pensa ser dele e de seu grupo. E não estou nem aí se o Babalorixá de Banânia tem 35 mil por cento de popularidade. Desde quando apoio popular é evidência de que o líder está certo, não é mesmo, Hitler? Não é mesmo, Mussolini?

Isso não me assusta, não me constrange, não me intimida. Ao contrário: mais me anima a desconstruir o mito para chegar ao político real, àquele que de fato existe. Lula e a nova classe social que representa — a burguesia sindical do capital alheio — não são os donos do Brasil, e os que a eles se opõem não são a turma “do contra”; são personagens da democracia tão legítimos como aqueles que os apóiam. Os petralhas não sabem disso porque odeiam o regime de liberdades e gostariam de ver os opositores numa jaula, submetidos à expiação e à, vou inventar uma palavrinha, “espiação” públicas em nome do “controle social da divergência”. Aquele blogueiro palaciano pançudo, lembram-se?, até sugeriu que se fizessem reportagens para “identificar” as pessoas que acham o governo ruim ou péssimo. O próximo passo é sugerir que andem com uma tornozeleira eletrônica, antes de lhes meter um triângulo roxo no uniforme. Gente vigarista!

Mas por que tanto ódio? Em primeiro lugar, porque os totalitários não se conformam que possa haver uma “minoria” (como dizem) que não se subordine à linha que consideram justa. Eles não se contentam em ter a maioria. Querem a totalidade. Como escrevi ontem, é preciso transformar o adversário num inimigo e esse inimigo num “não-ser” para que possa, então, ser eliminado. É a manifestação política da psicopatia — que chamo esquerdopatia. Existir “uma minoria” que insiste em não ceder ao charme do demiurgo lhes parece um grande risco, é como se, e George Orwell precebeu isso precocemente no livro 1984, o Grande Irmão tivesse falhado.

Em segundo lugar, não suportam ser confrontados com a verdade, que confundem com sabotagem. Querem ver o que os deixa possessos? Pensemos nos oito anos de governo Lula. Eu desafio qualquer um dos velhos áulicos do lulo-petismo — seja o pensamento mais musculoso de Marilena Chaui, seja o mais delgado, de Renato Janine Ribeiro, seja o de qualquer um desses neovigaristas do adesismo que se dizem pragmáticos — a apontar uma só, BASTA UMA, mudança institucional importante implementada pelo governo Lula. Não! Não estou cobrando uma porção delas, uma lista de realizações. Basta umazinha só, uma coisa miserável que seja! Não há! Formalmente, o país não deu um miserável passo no avanço institucional.

Ao contrário: ele regrediu! Deu passos para trás. Violações da intimidade aconteceram antes, em outros governos? É possível! Mas só no governo do PT o desrespeito sistemático aos sigilos bancário, fiscal e telefônico se tornou uma verdadeira indústria — e as pegadas dos companheiros na manipulação do crime são evidentes, escancaradas. Pretendem diluir a clara perseguição política a um grupo de tucanos e a familiares de José Serra — filha e genro — em centenas de outros crimes, como se a) aqueles anulassem estes; b) a inocência fosse construída por meio do excesso de culpas. É uma gente politicamente doente.

Quando é que entes do estado foram tão escancaradamente usados para proteger um grupo político, como agora, a exemplo da vergonha a que se assiste na Receita Federal? Já nem se ocupam mais de disfarçar. Os mecanismos a que recorrem são típicos da ditadura. Desde a redemocratização, este é o ponto mais baixo a que chegou o estado de direito no Brasil. Nisso, com efeito, o PT representa uma inovação institucional. E também está sendo bastante original nas desculpas. Os tempos em que Paulo Maluf era visto como a grande ameaça de retrocesso da democracia chegam a ser ingênuos, não? Ainda que ninguém acreditasse, ele não cedia: “A as-se-na-to-ra não é me-nha” — em português, queria dizer: “A assinatura é minha, mas não confesso porque, no fundo, sei que é errado”. Maluf teria aula de decoro a dar ao PT…


Com o petismo, tudo mudou: acabam admitindo o crime, geralmente por bons motivos, claro!, e mobilizam seus bate-paus para produzir textos que a) procurem, num primeiro momento, dar alcance teórico à patifaria; b) recontem a história aos poucos, de modo que a safadeza vá sendo diluída numa narrativa alternativa. Pensem no mensalão: Lula começou admitindo caixa dois, depois passou a negar a existência de qualquer irregularidade e agora espalha a fantasia de que tudo foi uma tentativa de golpe dos adversários. Ninguém nunca tentou recuperar o malufismo como, sei lá, uma mudança de qualidade da ação política. Já o petismo pretende ser uma forma superior de apreensão do mundo — aquele modelo teórico Marilena Chaui, vocês sabem: Spinoza com Delúbio Soares. Aquela senhora promete agora uma releitura do filósofo holandês mediada por Tiririca. Tudo bem: o abestado nada entende de democracia. A abestada também não!

Faço a pergunta de novo: cadê os avanços institucionais do governo Lula? Ora, o país regrediu barbaramente, por exemplo, no acompanhamento das contas públicas. Boa parte dos gastos do governo federal e das estatais se faz hoje ao arrepio do controle do Tribunal de Contas da União. Vale dizer: tornaram-se menos transparentes. O que o PT promoveu nestes oito anos de governo foi a privatização do estado — inclusive das estatais, transformadas também elas, como os fundos de pensão, em braços do partido.

É nesse ambiente que se dá a violação de sigilos, e essas são as grandes contribuições institucionais do PT ao Brasil, isso para não falar do Babalorixá, ele próprio o grande depredador das leis. Não é casual que sua candidata à Presidência da República tenha sido tirada do bolso do colete, notoriamente inepta para a política, incapaz de enfrentar o debate público por seus próprios meios. Dilma é o Tiririca que freqüentou as aulas do Colina e da VAR-Palmares. Não pertencem à mesma coligação por acaso. Representam uma momento da institucionalidade.

Volto ao começo. Quais serão os valores deste blog a partir de 1º de janeiro de 2011? Esses que se percebem acima, pouco importa quem vá ocupar aquela cadeira, que não pertence a Lula, mas ao governo do Brasil. Os petralhas podem contar comigo. Eu os estarei combatendo estejam no governo ou na oposição.

Por Reinaldo Azevedo

Dilma não sabe o significado da palavra “institucional”;

08/09/2010
às 19:22
Dilma não sabe o significado da palavra “institucional”; Tio Rei explica pra ela — já que isso Lula não pode lhe “transferir”
Tentando negar o óbvio — é uma candidata sob tutela, incapaz de dar as próprias respostas —, Dilma afirmou que Lula foi ontem ao ar para dar uma resposta “institucional” à oposição (ver post abaixo). A petista certamente desconhece o sentido da palavra. Eu poderia fazer aqui um ensaio sobre mentalidades e encontrar a raiz dessa ignorância em sua trajetória política. Afinal, escolheu métodos nada institucionais de atuar na vida pública — e se orgulha até hoje da opção que fez. Não há uma só pessoa afinada com os princípios da dignidade humana que possa achar que ações terroristas, que vitimam inocentes, acabam concorrendo para o bem. A oposição não levou tal questão, nem levaria, ao horário eleitoral. Há coisas que a marquetagem considera “baixaria”. Às vezes, a “baixaria” é nada menos do que a biografia do sujeito. Adiante. Dizia que Dilma não sabe o que quer dizer o adjetivo “institucional”.

A “instituição”, substantivo em nome do qual Lula DEVERIA FALAR, se chama “Presidência da República”, o cimo do Executivo, um dos Poderes da República (no caso do Brasil, uma tríade garante a unidade política) regulados pela Constituição, por leis complementares e códigos que organizam a vida em sociedade.

Embora o chefe do Executivo seja eleito pela maioria dos votantes, a sua função institucional é governar a todos sem distinção, mesmo àqueles que lhe recusaram seu voto. A República faz a devida distinção entre o chefe de um partido e o chefe de um governo. Assim, é descabido, inaceitável, absurdo, que um presidente da República, ainda que evocando a sua condição de simples militante partidário, se refira ao candidato da oposição como “aquele do contra”, que “torce o nariz para as conquistas do povo brasileiro” — , especialmente quando, como no caso do presidencialismo brasileiro, esse líder também é chefe de estado. Essa é a fala de um chicaneiro, não a de um chefe máximo de um Poder.

Ainda mais sério: um presidente da República jura cumprir a Constituição no curso de seu mandato. Os petistas de Lula agrediram essa Constituição. Em seu discurso, ele os protege e ataca as vítimas: ignora o crime e fala em “falsidades e mentiras”, como se tudo não passasse de uma grande farsa. É a isso que Dilma chama fala “institucional”? A observação só prova que, sozinha, ela é mesmo uma sem-jeito. Se eleita, a disputa de foice no escuro entre PMDB e PT vai ser pela tutela do governo e da presidente. E, nessa hipótese, torçamos para que Deus esteja conosco — porque todo o resto estaria contra nós.

Não! Dilma não sabe o que quer dizer a palavra “institucional”. Tio Rei explica para ela. Isso Lula não pode lhe “transferir”. Tampouco pode falar em lugar dela.


Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Lula entra na guerra suja

08/09/2010


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abrindo mão do decoro mínimo que se espera de um presidente da República — porque ele continua presidente mesmo quando faz campanha para a sua candidata —, foi a TV ontem acusar o tucano José Serra de “partir para a baixaria”. Curiosamente, alguns textos na imprensa dizem que ele partiu para o “contra-ataque”. Um mínimo de decência e de apreço pelo significado das palavras nos informa que o “ataque” foi a quebra dos sigilos e a tentativa de envolver Verônica Serra numa das tramóias a que o PT se habituou. O “contra-ataque”, se houve, foi o do tucano. Lula apenas junta um ato indecoroso a outro.

Se querem saber, acusar o adversário — adversário de Dilma, é bom deixar claro, já que Lula não disputa a eleição — de “partir para a baixaria” é muito menos grave do que qualificá-lo como o “candidato da turma do contra”, referindo-se, então, aos milhões de eleitores que votarão em Serra como cidadãos se segunda categoria, gente desprezível que não “tem amor pelo Brasil”. É uma violência com o próprio processo democrático.

Na democracia, a “turma do contra”, de que fala Lula, é tão legítima quanto a “turma a favor”. Afirmar que o adversário é aquele que “torce o nariz para tudo” desqualifica a oposição, sem a qual não existe regime democrático, uma vez que se pode dizer “sim” na Coréia do Norte, em Cuba ou no Irã. A fala de Lula explica muita coisa.

Quando classifico certas posturas políticas de “esquerdopatia” e seus praticantes de “esquerdopatas”, não o faço por acaso. O esquerdista — e pouco importa que forma esse esquerdismo assuma nas circunstâncias dadas — é o psicopata da política. Assim como aquele doente tem noção do certo e do errado, mas pratica o crime sem remorso ou dor na consciência porque, de fato, não reconhece a humanidade de suas vítimas, o esquerdopata faz o que considera “o necessário” para atingir seus objetivos porque não reconhece “o outro” como um seu igual, porém dotado de uma outra verdade. Um psicopata não se compadece da dor alheia porque o outro, para ele, é “coisa”; na política, o esquerdopata age da mesma maneira.

É preciso esvaziar o adversário de sentido para, então, eliminá-lo. Há oito anos Lula vem promovendo, por exemplo, o desmonte do governo FHC e da própria figura do ex-presidente. Usou a máquina pública para construir uma fabulosa teia de mentiras sobre si mesmo e sobre o antecessor. O Brasil, segundo a propaganda, começou com Lula. Ontem, calculem!, no 7 de Setembro, Dilma Rousseff chegou a afirmar que o país teve a sua segunda independência ao “romper com a tutela do FMI”. Em primeiro lugar, não rompeu com o Fundo, mas pagou o que devia. Em segundo, nunca houve tutela. Mas e daí? Isso é parte da farsa petista.

Transformado o outro em coisa, então ele pode ser eliminado. E aí vale tudo: mensalão, aloprados, dossiês, invasões de sigilo, qualquer coisa. Se Serra representa “a turma do contra” e as pessoas que “não amam o Brasil”, então é evidente que ele tem de ser banido da política, não importa por quais meios. E seus eleitores são, igualmente, expressão do mal. O que se viu ontem na TV foi um troço fabuloso, único, verdadeiramente inaugural: os petistas quebraram o sigilo de tucanos e da filha do presidenciável da oposição, mas Lula acusa a “baixaria” de Serra e fala em “calúnias e mentiras”. E, como vimos, não foi ela a responder. O “macho Alfa” saiu em defesa da “mulher”, que estaria sendo vítima de preconceito.

Caso Dilma seja eleita, vocês podem se preparar para emoções fortes. A máquina que praticou esses crimes em série contra a Constituição não vai parar. Assim como o sigilo dos tucanos e de Verônica Serra serviu à guerra suja, o de muitos outros brasileiros também servirá. Sempre haverá Lula para ir à televisão e exorcizar os demônios da “oposição”. E que fique claro: o monstro ainda não se criou; apenas dá os seus primeiros passos.


Por Reinaldo Azevedo

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sabatina no Grupo Estado

‘Lula debochou de coisa séria’, diz Serra sobre quebra de sigilos em sabatina no ‘Estado’ por Jair Stangler

Seção: Eleições

06.setembro.2010 09:52:29
José Orenstein

Em sabatina no Grupo Estado na manhã de hoje, o candidato do PSDB à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, reclamou da postura da Receita Federal e do governo na apuração da quebra do sigilo fiscal de familiares e políticos próximos a ele. Em crítica direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, no fim de semana, indagou se haveria, de fato, o vazamento de informações sigilosas de tucanos, Serra disse que “Lula debochou de coisa séria”.
Apesar de o PSDB atuar na Justiça para trazer o tema das quebra de sigilos à campanha, Serra negou influência significativa do assunto na corrida eleitoral.
O tucano respondeu a jornalistas e internautas e foi contundente nas críticas a vários aspectos do governo Lula, como a economia e a política externa. Pressionado a assumir um discurso mais oposicionista, Serra também não poupou o PT. Disse que o partido apenas “posa de esquerda” e que “bota para fazer política externa gente com poucos neurônios”. O candidato do PSDB reclamou da aproximação do Brasil com o Irã, que classifica como regime que promove o “fascismo do século 21″.
Serra voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança e cutucou a campanha de Dilma e do PT, que, segundo o tucano, copiam suas ideias e criam boatos contra sua candidatura. Ao comentar a situação econômica do País, o candidato do PSDB disse que ”nós estamos em franco, aberto, e só não declarado, processo de desindustrialização”, e criticou a dependência das commodities.

Serra na sabatina promovida pelo Grupo Estado. Foto: Nilton Fukuda/AE
O blog Radar Político acompanhou ao vivo os melhores lances da sabatina. Veja como foi:
12h29 – Nas suas considerações finais, José Serra diz que o Brasil tem um momento de oportunidades que podem ou não ser aproveitadas, a depender das decisões tomadas na primeira metade do mandato do presidente. Serra diz ser a favor de que todos se associem livremente, inclusive o MST, mas diz ser contra o subsídio do governo a organizações. Serra enumera o pré-sal e o “bônus demográfico”, a menor taxa de natalidade, como vantagens que permitirão o investimento maior do País no desenvolvimento. “Eu tinha um governo muito bem avaliado em São Paulo e me reelegeria com tranquilidade provavelmente. Mas me candidatei por dois motivos, primeiro porque estava tranquilo que teria uma sucessão aqui no Estado. Segundo, porque queria me dedicar a melhorar o Brasil”. Comentando sua trajetória, afirma: “Eu dediquei minha vida ao Brasil e vou continuar a trabalhar para isso”.
12h27 – Serra critica a sucessão proposta por Lula ao indicar Dilma. Ele lembra casos de continuação que não tiveram sucesso, como Maluf e Pitta, Quércia e Fleury, por exemplo. “Isso não existe”, declara o tucano sobre uma continuação de Lula com Dilma.
12h24 – O tucano comenta a odisseia de campanha por que tem passado. “Tenho tido uma disposição como nunca tive na minha vida. Não fossem os outros essa campanha seria uma maravilha”, brinca José Serra.
12h21 – Serra evita falar do estado de saúde de Dilma Rousseff. “Mas eu posso falar da minha saúde, que, tirando o mal humor de manhã, é perfeita”, diz o candidato, para risos da plateia.
12h17 – “A razão para votar na Dilma é o Lula, não tem outra. A razão para votar em mim é a competência, a experiência”, afirma o tucano, que se diz se amparar nas pesquisas qualitativas internas promovidas pelo seu partido. Segundo o candidato do PSDB, a situação eleitoral indica que “as pessoas querem o Lula, mas precisam do Serra”. Ainda sobre as qualitativas, Serra diz que em Minas Gerais a maioria das pessoas não sabem que Anastasia e Aécio Neves o apóiam na campanha à Presidência, o que segundo Serra é uma falha, mas também um potencial.
12h14 – José Serra admite ter faltado material de campanha para distribuição a aliados nos Estados do Brasil. “Faltou dinheiro”, afirmou o candidato tucano, que disse que o que se gasta na campanha de Dilma é muito mais do que já se gastou historicamente nas campanhas no País.
12h09 – Sobre a reforma da Previdência, Serra lembra atuação na época da Consituinte, quando defendia uma correção para aqueles “que ainda iam nascer”. Ele defende a criação de um grande fundo previdenciário com recursos do pré-sal para regular a situação das aposentadorias, que segundo Serra “vai ser copiada daqui a duas semanas pelo outro lado”.
12h06 – “A carga tributária é muito mais escorchante do que parece”, diz Serra. Ele afirma que o principal problema é a sonegação e a informalidade. “Aquele que não sonega paga uma barbaridade”, comenta o candidato tucano. “No Brasil a carga tributária aumenta na recessão e na expansão. Isso não dá”, comenta Serra.
12h03 – Comentando a reforma tributária, Serra mantém a mesma linha, contrária à Consituinte. Ele ressalta a necessidade de concentrar esforços em objetivos específicos, um de cada vez.
11h59 – Questionado sobre a reforma política, Serra defende a criação do voto distrital puro em municípios com mais de 200 mil habitantes. “Você inocula no País um vírus benigno de uma outra forma de fazer política”. Serra defende também a limitação da propaganda eleitoral à fórmula “candidato e câmara”. O tucano diz ser contrário à formação de uma Constituinte exclusiva para a reforma política.
11h56 – “Dentro das circunstâncias, o programa é bom. Se você soubesse o que irira acontecer em uma semana, essa quebra de sigilo, teríamos preparado outra coisa”, afirma Serra ao comentar a sua criticada inserção televisiva em que aparecia uma “favela cenográfica”. “Isso é truque petista. Quer coisa mais fantasiosa que o programa Dilma?”, questiona Serra.
11h53 – Questionado por internauta se é favorável à abertura de cassinos para financiar a Saúde, Serra se diz terminantemente contra, lembrando sua atuação no Senado para barrar a medida. “É um keynesianismo primitivo”, comenta o candidato tucano.
11h50 – Serra justifica a oposição “soft” do PSDB ao governo Lula amaprando-se numa postura “cavalheira” de seu partido. O candidato tucano cita Fernando Henrique Cardoso e a transição de poder que operou de forma imparcial, segundo Serra. Perguntado sobre sua avaliação diante da postura do PSDB como oposição, Serra diz que essa avaliação cabe aos analistas políticos e historiadores do futuro.
11h46 – “Eu acredito na razão. Acho que isso saiu de moda”, diz Serra. Ele afirma ainda que o Banco Central não tem autonomia. O tucano ressalta a importância e a necessidade de uma política comum entre Banco Central e Fazenda, como, segundo Serra, ocorre no Chile.
11h43 – Ainda na crítica ao PT, Serra cutuca: “Tucano é inepto para espalhar fofoca, pode acreditar. Petista já nasce com isso no DNA”.
11h40 – “Qualquer coisa que eu diga eles mandam email para botar medo em todas as áreas”, afirma Serra. O tucano reclama de boatos que se atribuem a ele, como o de que acabaria com os concursos. “O PT se organiza e espalha. É um coisa surrealista”, se queixa José Serra, que em seguida comenta boato sobre sua vontade de acabar com Prouni. “Isso é uma coisa organizada, uma central para espalhar esses boatos”.

Tucano argumenta na sabatina do Estadão. Foto: Sergio Castro/AE
11h35 – Serra lembra o período em que viveu no Chile e a polarização sob o governo Allendo quando ele era professor de economia. “A faculdade foi dividida entre marxistas e ortodoxos, e eu fui escolhido pelos dois lados”, diz o candidato para ilustrar sua posição no tratamento da política externa e da inserção econômica do Brasil no mundo.
11h30 – “O governo Lula é forte no índice de popularidade do presidente, mas é fraco no Congresso”, diz o candidato tucano à Presidência. Serra nega ter que lotear cargos uma vez no poder e diz que “conhece muito bem o Congresso”. O tucano comenta ter conversado com um ex-presidente “se um dia teria medo do Congresso”, assim com o o presidente, de quem não citou o nome, tinha.
11h27 – “Tem muita figuração, boa parte é pirotecnia, para permitir que o pessoal que se diz de esquerda ficar mais confortável de trabalhar num governo como esse. Eu disse em 2003: O PT é o bolchevismo sem utopia. Um partido que persegue fins sem ligar para o meios, que subsitui a ética individual pela ética do partido. E no entanto não tem utopia da igualdade. Isso daí o PT nunca teve, desde o seu nascimento”, afirma Serra comentando a política externa.
11h21 – Serra cita sua relação com o atual presidente colombiano e diz que a Colômbia tem combatido e reduzido a produção de coca. “Eles entraram firme nisso. A Bolívia mais do que dobrou a produção de coca. E ela vem para o Brasil”, afirma o candidato. “Por que não usar a força do Brasil para pressionar diplomaticamente a Bolívia a combater a exportação da coca para o País? Porque você está misturando política externa e política partidária. O PT posa de esquerda. Eles não tem nada de esquerda. Fazem apenas o ’saludo a la bandera’”, critica Serra. “Eles botam para fazer política externa gente com poucos neurônios”. Ainda na questão da política externa critica duramente a relação do Brasil com Irã, que vive regime classificado por Serra como “fascismo do século XXI”.
11h15 – “Drogas e armas estão soltas, e o Brasil põe a mão no bolso e sai assoviando”, afirma Serra. Ele defende a criação de um Ministério da Segurança para controlar o tráfico e a violência. “Tem tanto ministério aí para nada. O mais importante não tem”. O tucano diz ainda que é preciso por um especialista na área de Segurança à frente da pasta que seria criada numa sua eventual gestão. “Eu falei logo no começo do Ministério da Segurança porque eu sabia que eles iriam copiar”, afirma Serra em crítica à candidatura de Dilma. O candidato do PSDB defende também a unificação de dados e medidas de combate ao crime, “que não tem fronteiras. Tem que ter uma ação federal”.
11h12 – “Nós estamos em franco, aberto, e só não declarado, processo de desindustrialização”, critica Serra. Ele ataca a gestão macroenômica do governo do PT, a quem acusa não ter uma visão de planejamento e desenvolvimento do Brasil. O candidato do PSDB reclama do fato da economia do País estar baseada na exportação de commodities.
11h08 – “Eu não faria empréstimos do BNDES para fusões [de empresas]. Numa crise tudo bem, porque evita uma crise bancária. Agora, em condições normais de temperatura e pressão não faz sentido dar empréstimo subsidiado para fusões”, afirma o tucano.
11h05 – Serra lembra, como tem feito ao longo da campanha, sua iniciativa na constituição do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), uma medida anticíclica que ao repassar 40% , segundo o candidato, “alavancou o BNDES e alavancou o recurso industrial no Brasil”.
11h03 – “Dá para esfregar as mãos”, diz Serra, que afirma haver muito espaço para corte de gastos do governo, eliminando cabides de emprego, reduzindo custos.
11h00 – Ainda falando sobre economia, Serra comenta: “Vivemos num tripé perverso: a carga tributária mais alta do mundo em desenvolvimento; a maior taxa de juro real do mundo e a maior taxa de investimento estatal do mundo”.
10h58 – “Criou-se um mito de que o Brasil surfou na crise. Isso não é veredade, quem surfou foram países como a China, a Índia, que têm projeto de nação”, diz Serra. Ele em seguida faz críticas a Dilma, que “parece não ter estudado economia”, segundo o candidato.
10h57 – Serra insiste na comparação com Dilma. “A escolha vai ficar entre alguém conhecido e testado e um envelope fechado”, declara.
10h54 – “Eu represento a certeza. Todos me conehcem, a minha vida é pública de verdade. A Dilma é a dúvida”, declara o candidato do PSDB à Presidência. “O próximo governo vai ter um desafio imenso – não vai ter a duplicação dos preços de exportação”, comenta Serra, que em seguida diz ter havido retrocesso na Segurança, Saúde e Educação.
10h52 – “O PT soltou que era para ganhar no tapete e muita gente engoliu isso”, afirma Serra ao comentar as ações do PSDB na Justiça para questionar a quebra do sigilos e a candidatura de Dilma Rousseff.
10h48 – Serra afirma que Lula fez deboche de uma situação séria, ao comentar o caso da quebra de sigilos. Atacando a candidata do PT, o tucano afirma: “Esse caso da Dilma é original. Ela sequer debate os temas do partido. Há um ocultamento biográfico”.
10h47 – O candidato do PSDB nega ter poupado Pallocci, que é seu amigo pessoal, ao demorar para lembrar o caso de quebra de sigilo bancário de Francenildo.
10h44 – Serra lembra ter falado com Lula sobre sua preocupação “com ataques sistemáticos a minha filha” em blogs “semioficiais” de apoio ao PT. O candidato do PSDB ataca “blogs sujos que recebem apoio de uma forma ou de outra do governo”. “Eu nem reclamei nem pedi nada [ao Lula], apenas informei”, diz Serra.
10h42 – “A Receita tem feito uma operação abafa. Tem procurado atrapalhar a investigação. A Receita termina sendo cúmplice disso que é uma sindicalização de um órgão de Estado”, afirma Serra ainda sobre o caso de violação de sigilos.
10h40 – O candidato abriu mão de seus cinco minutos iniciais de apresentação e responde questão da jornalista Julia Duailibi sobre a violação de sigilos pela Receita. “O que houve foi um crime”, comenta. Lembrando o caso dos aloprados de 2006, Serra diz que o episódio não deve allterar o processo eleitoral. “O PT no fundo da alma, e até na superfície, não é democrático”.
10h38 – Tem início a sabatina com o candidato José Serra, que será mediada por Roberto Godoy.

Serra chega ao Grupo Estado de helicóptero. Foto: Ayrton Vignola/AE
10h25 – Serra chegou à sede do Grupo Estado. A sabatina começa daqui a pouco
10h17 – O candidato José Serra está atrasado para o início da sabatina e ainda não chegou. O rabino Henry Sobel está presente na plateia.
10h05 – A sabatina deve começar em poucos minutos. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do DEM, está na sede do Estado para acompanhar a entrevista de Serra.

Chegou a hora de botar os pingos nos “is”. A máquina criminosa remonta à década de 80!

06/09/2010
às 6:45
Chegou a hora de botar os pingos nos “is”. A máquina criminosa remonta à década de 80!
Não há um só jornalista trabalhando no Brasil — e isto que vou escrever e especialmente válido para os que têm a minha idade ou mais — que ignore que o PT sempre foi uma máquina de vazar dados sigilosos sobre a vida dos adversários. E isso faz muito, muito tempo! É raro, e os coleguinhas sabem que falo a verdade, haver um jornalista “investigativo” em Brasília que não tenha passado no gabinete de algum deputado petista para pegar dados protegidos por sigilo — e pouco importa a sua natureza: bancário, fiscal, de justiça, de investigação da PF… Escolham!
E, infelizmente, a imprensa tem feito uso da ilegalidade também. E não! Não estou defendendo que ela seja submetida, por isso, a censura de qualquer natureza. Mas não dá para ignorar que pau que bate em Chico também bate em Francisco, como se diz por aí. E, agora, cumpre caracterizar dois tempos: a da ingenuidade romântica e a do realismo cínico.
O PT passa dados sigilosos de adversários a jornalistas desde que existe como partido e desde que seus representantes começaram a ocupar a máquina do estado. Ah, houve um tempo em que as boas almas da “catchiguria” acreditavam mesmo no valor patriótico dessa gente. José Dirceu, por exemplo, era uma “fonte preciosa” desde quando era deputado estadual em São Paulo. Fez um milhão de amigos na imprensa. Outros tantos foram se sucedendo no trabalho sistemático de tentar destruir a reputação dos “inimigos”.
Alguns larápios se deram mal? Claro que sim! Mas muita gente boa — E INOCENTE — comeu o pão que o diabo amassou simplesmente porque “estava do lado de lá”. Eduardo Jorge Caldas Pereira, que teve agora o sigilo de novo invadido, é um caso emblemático da máquina de moer biografias. Ele se recuperou porque é uma pessoa determinada. Mas o PT, em associação com certos setores do Ministério Público, tentaram destruí-lo.
Na fase ingênuo-romântica, muitos acreditavam — e alguns bocós acreditam ainda hoje — que os crimes cometidos pelo partido ao vazar dados sigilosos para a imprensa eram compensados pelo bem que faziam: tirar de circulação algumas figuras detestáveis da política. Nem parecia que o PT o fazia como uma estratégia de poder. Não! Eram os patriotas, as pessoas que estavam do lado benigno da força. No arquivo, vocês encontram textos sobre o alinhamento imprensa-Ministério Público.
Acontece que…
Acontece que aquele “partidinho” de supostos guerreiros do bem se tornou essa máquina que aí está. E a prática criminosa de usar o acesso ao Estado para atingir adversários segue inalterada. Só que o PT é que é o partido da ordem, do continuísmo, do poder. E alguns só se dão conta agora — ao menos espero — de que não é a nossa avaliação do padrão moral de uma vítima que faz o crime. A invasão de dados protegidos pelo estado e seu vazamento são ações criminosas. Ponto.
Notem uma coisa curiosa. Até chegar ao poder, os petistas tinham no que agora chamam “mídia” uma aliada — era um partido “amigo” dos jornalistas e fazia uma crítica ou outra aos “patrões da comunicação”. Lula nunca foi besta. Sabia que a admiração que lhe devotava (e devota ainda, o que é fabuloso!) boa parte da “catchiguria” era importante para a sua causa. A animosidade com a imprensa começa com a chegada de Lula ao poder e atinge o ponto extremo na crise do mensalão.
Por quê? Porque uma parte do jornalismo considerou que os petistas passavam da condição de “investigadores” à de “investigados” — afinal, eram o novo poder. E isso lhes soou como coisa inaceitável. Com acesso pleno à máquina do Estado, queriam continuar na posição de atiradores, jamais de alvos. Começam, então, a chamar a imprensa — ao menos a que rejeita o servilismo — de “golpista”.
Quando o partido tentou, por exemplo, COM AMPLA COBERTURA DA IMPRENSA — BASTA PESQUISAR —, emplacar uma CPI com 45 (olhem que sutil!) denúncias de corrupção contra o governo FHC, tratava-se apenas de patriotismo e senso de justiça. Quando se tentou investigar o mensalão, aí já era golpe…
Volto ao ponto
Mas me desviei um pouco para explicar por que o partido mudou a sua relação com a “mídia”. Retomo o fio. Essa máquina de produzir dossiês e de escarafunchar ilegalmente a vida alheia remonta à década de 80 e vive seu apogeu na década de 90, especialmente durante a gestão FHC. Infelizmente, sucessivas ilegalidades tiveram como parceira a imprensa, sim, senhores! Se parecia moralizante — e até divertido — que o aguerrido partido de oposição denunciasse as “falcatruas” alheias (muitas não era; trava-se apenas de política), o expediente criminoso se mostra agora uma temeridade.
Quem, ilegalmente, quebra o sigilo bancário, fiscal ou de justiça par pegar A, B, ou C pode fazê-lo, se quiser, com o alfabeto inteiro. Vejamos o caso de Verônica Serra. Não é que ela devesse ter proteção especial, não! Não deve. O seu direito ao sigilo tem de ser tão assegurado como o de qualquer um de nós. Mas é evidente que, se até o dela, filha do candidato de oposição à Presidência, está na praça, quem está seguro?
Pois é… Alguns poderiam se sentir confortáveis pensando algo mais ou menos assim: “Já sei! Vou achar correta apenas a invasão do sigilo de algumas pessoas que considero suspeitas”. Bem, desnecessário dizer que isso é impossível. Quem atua ao arrepio da lei pratica bandidagem. E ela será sempre deletéria para as pessoas de bem.
Está posta a questão: “É possível condescender com o crime para ‘fazer o bem’? Sem hesitação, a minha resposta é esta: NÃO! Aqueles que antes se colocavam como os monopolistas da virtude contra os adversários da hora se colocam agora como donos das leis. E preparam uma investida contra a imprensa que ajudou a lhes dar o poder que têm. Antes, diziam proteger o bem público. Hoje, só pensam em se proteger, ainda que isso custe direitos fundamentais assegurados pela Constituição.
Por Reinaldo Azevedo
Tags: estado policial, imprensa

domingo, 5 de setembro de 2010

A virada

 Alckmin crê em virada de Serra a quatro semanas da eleição
05 de setembro de 2010 19h11 atualizado às 22h55

Tiago Dias

Direto de São Paulo
Em visita ao Museu da Língua Portuguesa neste domingo (5), em São Paulo, o candidato ao governo paulista pelo PSDB, Geraldo Alckmin, se mostrou otimista quanto a virada do presidenciável José Serra (PSDB) nessas eleições. "Temos quatro semanas. É tempo suficiente para diminuir a diferença. Ele (Serra) já parou de cair (nas pesquisas). Agora é recuperar", disse Alckmin.
De acordo com o tucano, a intenção de voto dos paulistas em José Serra - que foi o último governador de São Paulo - apenas empatou com a preferência dos eleitores por Dilma Rousseff (PT), e não sofreu queda. Na última pesquisa Datafolha, Serra tem 36% contra 41% de Dilma em São Paulo.
O candidato ainda rechaçou a ideia de que poderia transferir votos para Serra. Segundo as pesquisas, Alckmin pode ganhar a eleição ainda no primeiro turno. "Imagina, seria presunçoso da minha parte. Serra tem liderança e prestígio político", afirmou, prometendo apoio total e agenda conjunta toda vez que o Serra estiver em São Paulo.
Alckmin comentou a crítica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez a respeito da quebra de sigilo da filha de Serra, Veronica. Neste sábado (4), o presidente criticou a posição do PSDB sobre a quebra de sigilo. "Nossa campanha está tranquila (...) Do outro lado, temos um adversário, que o bicho anda com uma raiva que eu não sei de quê. O programa deles tá pesado, rasteiro", disse Lula na ocasião. "O presidente fala em baixaria, mas baixaria é quebra de sigilo", disse Alckmin.
O tucano aproveitou a visita e prometeu um anexo ao Museu, que ficaria ao lado da Estação da Luz, onde hoje ficam prédios deteriorados. Ele visitou o segundo andar do Museu e esperou Serra chegar para visitar a exposição que homenageia o poeta português Fernando Pessoa. Em um dos corredores, Alckmin foi surpreendido por uma família de quatro pessoas - duas crianças e dois adultos - que bateu palmas enquanto ele passava. "Governador", saudaram.

Dilma: Lei e Congresso foram motivos de prejuízo de 1 bi

05/09/2010
às 18:48



A candidata Dilma Rousseff atribuiu, neste domingo, o prejuízo de um bilhão de reais na área de energia – quando era ministra de Minas e Energia – a uma lei aprovada em 2002 no Congresso Nacional, ainda no governo de Fernando Henrique, e à dificuldade de aprovar nova legislação.  De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, falhas no cálculo da chamada tarifa social de energia provocaram gastos indevidos de um fundo de consumidores de todo o país.
Um dos critérios para definir o benefício era o baixo consumo, de até 80 kWatt/hora/mês. O Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que o domicílio que gastava pouco podia ser uma casa de praia, por exemplo. Segundo o jornal, o TCU alertou Dilma três vezes sobre o erro, mas ela não tomou providências. “A matéria está bastante errada. Como pode provar uma coisa que eu ignorei? Isso é uma coisa subjetiva”, afirmou Dilma.   
A presidenciável justificou as falhas, dizendo que o problema era conseguir mudar a legislação no Congresso: “O último acórdão do TCU reconhece que a gente tinha grande dificuldade de aprovar isso porque afetava as bases dos respectivos deputados na medida em que tratava-se de excluir pessoas que estavam beneficiadas. Então levamos dois anos para aprovar legislação”.
(Luciana Marques, de Brasília)

COMENTARIOS

Atenção! Comentários.
Só serão aceitos os que respeitarem a lei. Isto é, que não citem nomes de pessoas, principalmente em comentários anônimos. Para citar o nome de alguém, mande as provas, o nome do denunciante com fotocópia da carteira de identidade autenticada para Caixa Postal 2615, Salvador, Bahia. Concordamos com esse aspecto da lei, de que as pessoas devem ser preservadas de possíveis injúrias. Portanto, os comentários que citam nomes sem provas do que afirmam, não serão aceitos.
Entenda didaticamente: os três cidadãos que escrevem neste blog são pessoas públicas, todos os conhecem. Você não pode entrar anonimamente aqui e chamá-los disso e daquilo e ficar anônimo. Seria uma atitude autoritária sua e nós não aceitamos autoritarismo, venha de onde vier. Quer xingá-los? Identifique-se como eles se identificam.
Agressões a pessoas e instituições sem identificação do acusador serão deletadas.

MELHOR FICHA CRIMINAL NÃO TEM

Descoberto na Receita Federal ameaça a sobrevivência do estado de direito


Introduzo na poesia a palavra diárreia, não pela palavra fria, mas pelo que ela semeia, avisa Ferreira Gullar nos primeiros versos de A Bomba Suja. Reintroduza-se na política brasileira a palavra honestidade, antes que morra de vez o conjunto de valores que a palavra enfeixa. A honestidade parece tão incompatível com o mundo recriado pela Era Lula quanto parecia dissonante do universo da poesia a palavra evocada por Ferreira Gullar. Aparentemente deslocadas, perdidas, desconfortáveis, devem ser introduzidas bruscamente no ambiente hostil para torná-lo menos cafajeste.
A falsificação da assinatura de Verônica Serra na procuração entregue à Receita Federal é mais que outra agressão ultrajante ao Brasil honrado. É também a prova definitiva de que o vale-tudo eleitoreiro prolongou o degredo da honestidade e expandiu perturbadoramente a fronteira do atrevimento. Se os donos do poder debocham até da filha de um candidato à Presidência da República, é evidente que as instituições estão em frangalhos.
Ou o país reage agora ou a Constituição será substituída pelo manual do banditismo. O governo que se gaba de ter inventado a justiça social vai revogando os códigos que balizam a justiça sem adjetivos. O amor à verdade virou coisa de otário. Pode acabar reduzido a crime. Lula e Dilma Rousseff se declaram indignados não com a delinquência espantosa ou com o crime sem precedentes, O que deixa a dupla à beira de um ataque de nervos é o possível prejuízo eleitoral decorrente das queixas dos adversários.
A Secretaria da Receita Federal não é uma empresa privada, muito menos uma entidade autônoma. É um órgão da administração federal, subordinado ao Ministério da Fazenda. Ninguém é nomeado para o comando do Fisco sem o aval do chefe de governo. Conduzida por especialistas no assunto até a nomeação de Lina Vieira, a Receita foi aparelhada pelo PT. Constata-se agora que algumas agências lembram um acampamento de gatunos, achacadores, ladrões e extorsionários. A imensa maioria de funcionários que cumprem a lei devem unir-se na resistência aos pastores do primitivismo.
O escândalo não se limita ao mafuá de Mauá. O tumor ali descoberto cresce nos intestinos do Executivo e a metástase em gestação ameaça a sobrevivência do estado de direito. Antes que venha a metástase, os brasileiros decentes têm de reagir às ações criminosas com a indignação enfim exibida por José Serra. O chefe de família manifestou-se com a veemência que tem faltado a um chefe da oposição. A OAB, a ABI e outras siglas que viviam com a Bic na mão, sempre dispostas a engrossar até um abaixo-assinado contra o guarda da esquina, precisam recuperar a altivez e a voz.
É preciso silenciar imediatamente a conversa fiada do presidente da República, represar as infâmias despejadas pelo presidente do PT, rebater as mentiras desfiadas pela candidata a presidente. O histórico do caso de estupro fiscal informa que, a cada descoberta da imprensa, outro crime é cometido para ocultar os anteriores. O Ministério Público e o Poder Judiciário têm de provar que existem. Se não domarem os selvagens, por eles serão engolidos também.
O combate à corrupção ainda não conseguiu espaço na campanha eleitoral. A roubalheira já foi caso de polícia. Pode acabar promovida a case político. É hora de resgatar expressões que o cinismo endêmico baniu da linguagem dos palanques. A primeira da lista é a palavra honestidade.